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 Por uma aventura

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AutorMensagem
Hong Wang
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Número de Mensagens : 52
Data de inscrição : 13/05/2011

MensagemAssunto: Por uma aventura   Qui 14 Jul 2011, 3:18 am

N/A: Inscrevi essa fanfic no concurso de Fanfics da Level Up Games.. Dúvido que venha a ganhar com ela, mas foi gratificante contar uma história de Ragnarok e lutar contra o limite de caracteres - a versão original tem 30 mil caracteres, fiz uma resumida com 13 mil e fui cortando, adicionando e alterando cenas para ficar dentro do limite.. Não digo que gostei, mas também não digo que odiei.. =X

Apesar do nome modificado - para proteger a privacidade de uma das pessoas que inspirou-me nessa fanfic -, foi baseada no encontro do Hong com o Japovisk (Namorado do Hong no Ragnarok, que acompanhou-o na quest do Sinal e fazia parte da Bertoluzzi, clã de RolePlay do meu bardo).

Sintam-se livres para criticar/expôr suas opiniões (Quanto mais críticas construtivas, melhor escritora converto-me)~

Apreciem a leitura (Se forem capazes, mwhahahaha)~


Por uma aventura


Hong Wang nunca foi bom em se expressar. Ele era o quarto irmão em uma família de cinco, ficando sempre um tanto apagado entre os demais, porém nunca fez queixas a esse respeito, preferindo ficar opaco diante do radiante brilho de sua família, admirando-os por trás.
Provavelmente, devido ao seu costume de ficar as margens da glória dos demais, que Hong decidiu sair de Payon quando fez quatorze anos, para seguir para Prontera e entrar para igreja. De início Yao, seu irmão mais velho, ficou claramente desconfortável com a escolha, pois Hong sempre mostrou-se inteligente e apesar de não ser carismático, poderia seguir estudando e tornar-se um grande mercador - como Yao era -, só que Hong mostrou-se determinado a seguir pelo caminho religioso, insistindo em seu desejo.
- Pois bem, se der errado, sabe que pode voltar para casa quando quiser, não é? - Disse Yao, passando a mão sobre a cabeça do irmãozinho e organizando todos os preparativos para que ele tivesse uma viagem agradável para Prontera.
Em um sábado de manhã, a comitiva partiu para a cidade central de Rune Midgard, seguindo com muitos idosos, mulheres e crianças em direção ao local que era o centro do mundo para os cidadãos do reino da floresta. Porém, com a ingenuidade de um povo que vivia isolado, rapidamente eles sofreram uma emboscada de um grupo de gatunos e arruaceiros, que buscavam furtá-los e feri-los de qualquer modo.
Com crianças chorando e mulheres implorando pela vida de seus filhos, Hong encontrou-se em meio a desgraça e destruição, vendo aqueles criminosos atacarem com suas adagas os poucos homens que tentavam reagir. E, sentindo um ódio que não conseguia descrever, o jovem aprendiz quis vingar-se daquelas pessoas, contaminando o seu - até então - puro coração.
Foi como um vento forte que a salvação chegou, trazendo homens montados em ferozes Grand Pecos que corriam em alta velocidade. Com os escudos em mãos, os homens atiraram-os contra a caterva, fazendo-a se dissipar e tentar fugir imediatamente. Só que a cobiça daqueles homens foi sua perdição, pois ao não quererem soltar o resultado de seu saque, foram facilmente capturados pelos escudeiros.
O chefe dos homens montados aproximou-se das vítimas, ajudando a prestar auxílio médico para todos e mostrando sua capacidade de curá-los com base na própria fé. Os pés de Hong moveram-se instantaneamente rumo ao grupo, tentando compreender que tipo de sacerdotes eram aqueles que carregavam uma lámina.
- Você está bem, menino? - Perguntou o chefe, levantando-se após ajudar um idoso ferido e olhando para o Hong.
- Vocês são..? - Desejou saber.
- Templários, da Ordem das Valkyrias - apresentou-se, sorrindo e voltando a ajudar os demais.
Foi naquele dia que Hong compreendeu que em seu coração trazia sentimentos corrompidos como ódio e desejo de punir o mal, tornando-o incapaz de entrar pela igreja. Porém, mesmo não podendo salvar os fracos, a fé de Hong era inabalável que ele facilmente obteve o título de espadachim e lutou para ganhar força e proteger quem merecia sua proteção. Logo os Deuses recompensaram-o, dando-o poder para lutar por eles e ganhar um título de templário, dado a apenas aos espadachins que dominavama lámina e suportavam o peso do escudo e das responsabilidades de jamais permitir-se cair em batalha.

Aos dezenove anos, Hong exibia com orgulho o terço em mãos, trabalhando duro para orientar noviços e espadachins que desejavam obter força para ajudar aos outros. E foi por seu orgulho e força que despertou a atenção do sacerdote Bhamp, chefe da catedral Prontera.
Com passos tímidos, o rapaz adentrou o local com vestes simples e repleto de pó, sinal que usava seu tempo livre para ajudar os noviços a limpar as numerosas salas da Igreja. Um sorriso se fez no religioso ao ver o rapaz entrando, caminhando até ele e levando a mão até seu rosto, tocando-o em uma carícia.
- Tornou-se forte, Hong.. Lembro-me ainda quando recebi a carta de seu irmão pedindo para que você fizesse um teste de noviço. Dói-me pensar que você chegou atrasado e com uma espada em mãos, desculpando-se por ter entrado na academia da cavalaria.
- Mas eu voltei, sacerdote Bhamp.. Agora com força para proteger-nos - respondeu com timidez, não arrependia-se de suas escolhas.
- Eu entendo, só que sua espada não te trouxe ao caminho dos homens. O sacerdote Prapin deseja que eu te indique para tornar-se um paladino. Acha que devo aceitar a sugestão? - Indagou, voltando para a sua poltrona.
- Um paladino é um homem honrado, com caráter inquestionável e que segue sempre a lei, protegendo os mais fracos.. Encontro todos esses pontos em minha pessoa, pois a modestia não faz parte dos requisitos de um paladino, mas estou certo de que sua hesitação mostra que talvez eu não esteja preparado para esse cargo - disse com confiança, olhando apreensivo para o seu superior.
- Tornar-se paladino vai prendê-lo as ordens do rei, acabar com sua liberdade de viajar pelo mundo.. Não teme seu destino?
- De modo algum, é o que mais desejo.
A resposta desmotivou um pouco o sacerdote, fazendo-o suspirar e negar suavemente com a cabeça. Adorava Hong até mais do que os outros, mas ele ainda tinha algo que faltava e precisava descobrir antes de selar seu destino dessa forma. Remexeu nos papéis sobre a mesa, pegando um e esticando-o para o Hong.
- Executaremos um serviço de proteção.. Levará um homem até o subsolo do relógio de Al de Baran, e a segurança dele será sua responsabilidade. Sabia que lá não alcança a luz do sol? Talvez descubraem meio as trevas algo superior aos Deuses, algo mais.. humano.
- Sim, sacerdote - concordou Hong, tomando o papel com as informações da missão e retirando-se.
Dúvida dominou a mente de Hong naquele momento, não sabia dizer que a indecisão do clérigo era por sua juventude seguida de inexperiência ou por julgá-lo incapaz. Claro que sentia-se confortável com o recém adquirido cargo de templário e seria um esforço elevado entrar em um novo treinamento, agora dedicado exclusivamente a proteção do Rei, mas como todo bom espadachim, prezava a ordem acima de tudo.

Depois de dois dias de viagem, tendo chegado em Al de Baran no início da noite, Hong foi até a Torre do Relógio, que ficava bem no centro da cidade das águas, onde aguardou logo no início da manhã a chegada de seu acompanhante. Tinha poucas informações sobre ele, mas haviam dito que ele iria reconhecê-lo e com o local ainda vazio, imaginava que não teriam dificuldades de se encontrarem.
Esfregando os olhos levemente sonolentos no início da manhã, acompanhando o movimento do sol até o alto do céu e as vazias ruas serem tomadas por mercadores, que preparavam seus carrinhos e barracas para o trabalho. O relógio que marcava as seis horas logo moveu-se para as onze, quando o calor tornou-se exagerado ao refletir-se no metal de sua armadura, enquanto o tempo não parava de passar.
Tentando acalmar a ave que o acompanhava, Hong puxou sua montaria para a sombra e pegou seu cantil de água, servindo ao animal. Pelo horário, imaginava que a pessoa tinha passado por um imprevisto ou desistido da missão, mas logo seus pensamentos mostraram-se errôneos, pois uma batida leve foi sentida em seu ombro.
Os olhos de Hong voltaram-se para a pessoa ao seu lado, um arruaceiro de cabelos loiros rebeldes e atitudes um tanto suspeita, sorrindo de forma exagerada e descompromissada. De início Hong apenas encarou-o, sem saber o que um homem daqueles desejava consigo, mas o momento de silêncio que se seguiu o fez compreender.
- 'Cê é Hong Wang, não é? Vamos descer? - Perguntou com ânimo, estranhando um pouco o silêncio e inquietação adquirida pelo rapaz que deveria ter a sua idade.
- Você descerá comigo para o subsolo da torre..? - Não pode crer, deveria ser uma brincadeira do sacerdote Bhamp. Por que a igreja ajudaria um baderneiro?
- Isso aí, como foi o trato! Pego todas as panacéias e vendo pra igreja depois, faturando uma graninha! - Falou com ânimo, olhando pro Grand Peco e tentando tocá-lo, mas quase sendo bicado no mesmo instante. - Galinha arrisca a sua, hein? - Riu, divertindo-se.
- Não é uma galinha e.. - Acariciou o animal, para tranquilizá-lo da aproximação mal vinda. - Ela não está acostumada a ser tocada por pessoas que não façam parte da academia.
- De ginástica? - Riu, implicando com o templário todo certinho e arrogante.
- De espadachins - respondeu com desconforto, não entendendo a brincadeira do outro.
- Qual é o nome dela? Vai levá-la conosco? - Tentou puxar assunto, encarando o animal e provocando-o, ameaçando tocá-lo sem o seu consentimento.
- É alugada, não sei o nome dela e.. - Irritou-se, segurando a mão do rapaz e afastando-a do animal que ficava cada vez mais estressado com a brincadeira. - Poderia parar com isso? Nós deveriamos ter partido há cinco horas, não há mais tempo à perder.
- Certo, certo, vamos lá.. Pode deixar comigo que acabo com tudo que surgir! - Disse com confiança, andando na frente e entrando na torre do relógio.
- Está bem.. - Concordou Hong com visível desgosto, seguindo-o em silêncio.
Era aquela a missão? Ajudaria um maldito arruaceiro a catar panacéias para depois ele vender para a Igreja por preços absurdos? Se a igreja estava com um estoque baixo do medicamento, não seria melhor chamar um sacerdote para acompanhá-lo? Juntos dariam conta de todo o serviço e não cobrariam nada pelas panacéias adquiridas.

Apesar da falta de modos e da visível diferença entre personalidades, Hong e o arruaceiro davam-se relativamente bem ao lutarem juntos. Enquanto o templário montava o seu Grand Peco e dava cobertura de ataques a longa distância, o arruaceiro usava sua grande agilidade para acabar com alvos próximos antes que eles fossem capazes de reagir a aproximação.
De princípio, Hong ficou impressionado com os movimentos do rapaz e a forma que ele eliminava os monstros que surgiam - morcegos e livros amaldiçoados que tinham fome por carne humana. Só que bastou uma parada para que o arruaceiro se livrasse do peso para que ele jogasse algumas pedras longe e uma dessas atingisse um relógio - um poderoso monstro que é inofensivo se não provocado e, lamentavelmente, havia sido. O arruaceiro preparou-se para batalhar, mas antes que desse conta, cinco outros relógios surgiram, emboscando-os em um corredor sem saída.
- Você.. Jogou uma pedra nele?! - Indagou Hong, incrédulo da estupidez de seu acompanhante.
- Elas estavam pesadas e eu pensei que fosse um relógio comum, pôw! - O arruaceiro tentou se justificar, recuando junto a Hong, vendo os monstros se juntarem. Era hábito de gatunos levarem pedras consigo para jogar em seus alvos, mesmo que se tornasse um ataque ineficaz conforme se ganhava perícia com as adagas.
- Pelos Deuses, mesmo que fossem agressivos, estamos no território deles - falou Hong com descontentamento, jogando rápido o corpo sobre o Grand Peco e tomando a dianteira. - Fique para trás! - Ordenou, pegando seu pesado escuro e colocando-o para frente, protegendo o tórax do animal.
- 'Cê vai usar o escuro para proteger a sua galinha? 'Cê têm algum problema? - Perguntou, descrente dos métodos do templário.
- Cale-se! - Falou em um misto de angustia e raiva. - Sua falta de prudência nas lutas é falha! Ataca por trás e provoca mesmo não tendo capacidade de encarar seus problemas de frente, falta-te bom senso! Deixe-me fazer do meu próprio jeito agora! - Desabafou, não suportando mais aquela parceria.
- Cara.. - O arruaceiro hesitou, ficando quieto. Ele tinha tudo isso contra si? E pensar que haviam conhecido-se há pouco mais de duas horas.
O templário desmontou do Grand Peco, ficando na frente deles com ambas as mãos na empunhadura da espada. Em um movimento forte, cravou a arma no chão até que seu joelho atingisse o piso, ficando completamente imóvel, esperando os monstros vierem em sua direção. Um golpe o acertou em sua cabeça, jogando seu elmo para longe, vindo logo o segundo que desalinhou suas ombreiras, mas ainda não reagia, precisava que todos os cinco monstros a sua volta.
- O QUE 'CÊ 'TÁ FAZENDO?! - Gritou o arruaceiro, como ele podia ficar abaixado ali? Queria morrer?!
- Por favor, Deuses, permitam-me utilizar seus poderes para combater os filhos do vento!
- 'CÊ 'TÁ REZANDO?! - Continuou gritando, onde estava aquele bom senso que ele tanto exigia? Se não tinham força para lutar, era melhor fugirem!
Por mais que Hong quisesse gritar para o outro calar a boca e não atrapalhá-lo, continuava sua prece na esperança de ser ouvido. Não tardou ao sentir a bainha de sua espada queimar suas mãos, mantendo-a firme mesmo com a dor.
- Cruz magnum! - Invocou o poder divino, fazendo uma grande cruz de luz surgir no chão, a sua volta, e evaporar todos os relógios próximos de si.
- Nossa.. - O arruaceiro ficou sem palavras, tirando a bandana que usava na testa e secando algumas gotas de suor que surgiam nela. Quando a luz desapareceu e a ameaça se foi, aproximou-se do templário, dando um enorme sorriso. - Isso foi incrível! Por que não usou mais vezes? Com esse ataque você pode matar até o Satan Morroc! - Disse com ânimo, exagerando um pouco ao citar o monstro que devastou sozinho toda a cidade do deserto.
- Não pense em agir de forma inconsequente novamente - falou com a voz firme e séria, levantando-se do chão e puxando a espada, voltando a guardá-la na bainha. Quando soltou-a, tornou-se visível o sangue que escorria de suas mãos, marcas de queimadura graves como consequência de seus atos.
- Ei.. Sua mão está sangrando.. - O arruaceiro engoliu a seco. Ele estava bem antes do ataque, por que agora estava machucado desse jeito?
- Você não achava que "Dar a vida pela Igreja" fosse apenas uma expressão, não é? - Perguntou, sério.
Era a consequência, entregar seu corpo em troca do poder divino. Utilizá-lo era doloroso, mas Hong preferia assim, pois era com que tornava-se alvo e protegia os outros - mesmo que a pessoa ao seu lado não merecesse receber essa proteção.
- Evitarei lutar com as minhas mãos feridas - falou, voltando-se ao Grand Peco e tirando da bolsa que ele carregava uma poção branca, despejando na área e usando uma gaze para cobrir. - Permita-me usar a redenção.
O rapaz se calou, já havia visto um templário usar a tal "redenção" e percebia o quão perigoso era o local que estavam por ele propôr utilizá-la. A redenção fazia com que uma pessoa escolhida pelos homens que uniam a espada e a fé recebesse todo o dano que o alvo da redenção recebesse. Era perigoso, não eram raros os casos que a pessoa sob a redenção fugia e deixava o templário para trás, paralizado pela dor, uma vez que o dano levado ignorava a presença da pesada armadura trajada pelos membros da igreja.
Hong arrumou-se, recolocando seu elmo e alinhando sua armadura, pegando depois o seu frágil crucifixo e colocando-o no pescoço do arruaceiro. Não confiava em muitos a posse do objeto - simbolo de sua fé -, mas precisava estabelecer uma linha de ligação, aquele era o único meio de seguirem em frente.
- Redenção! - Conjurou a habilidade, tornando-se martírio do outro.
- Ei, cara.. Foi mal - disse, tentando desculpar-se pelos problemas causados.
- Não há necessidade de suas desculpas indelicadas, vamos terminar logo essa missão - respondeu-o com frieza, montando no Grand Peco e começando a caminhar.
Depois da desagradável situação, o loiro tomou a dianteira e foi até o subsolo da torre, adentrando aquele escuro labirinto e encontrando o alvo deles - penomenas, monstros venenosos e com muitos tentáculos -, com suas perícias de suportar os mais poderosos venenos, a missão passou a correr sem mais transtornos, onde o rapaz focou-se apenas em obter do veneno dos monstros o perfeito antídoto para diversos maus.
Por horas focaram-se em colhetar os itens, logo atingindo o número almejado. O arruaceiro guardava tudo em uma bolsa de couro que parecia suportar um número bem maior de itens que aparentava, livrando-se de algumas bobagens - como pedras e garrafas vazias - para preenchê-la com panacéia. Porém, mesmo tendo um lucro alto em mãos, a ambição do arruaceiro prosseguia, não resistindo quando avistou mais um animal não muito longe deles.
- Há mais uma ali, vamo' pegá-la e podemos ir embora - falou, apontando para um dos corredores.
- S-sim.. - concordou Hong, com a voz abafada devido a exaustão, já enfraquecido por manter a linha da redenção.
- Só mais essa e.. - O arruaceiro ficou em silêncio quando aproximou-se mais algum passo, sentindo seu tornozelo ser envolvido por um daqueles tentáculos venenosos e ser puxado para um corredor com um número inimaginável de monstros.
- Espere! A redenção não aguenta tanto! - Hong correu até o local, tentando diminuir a distância para que a redenção se mantivesse ativa.
Antes que algo pudesse ser feito, o Grand Peco foi atacado, tentando reagir e jogando Hong no chão. As mãos de Hong, já queimadas, sentiram o veneno das Penomenas entrarem em suas feridas. Ele levantou-se rápido, querendo verificar o estado de sua redenção - já não sentia os danos vindos da redenção do afanador - e notou que seu rosário estava partido no chão, vendo que a ligação não havia sido forte o suficiente. Seus olhos saíram em busca do arruaceiro, que combatia os animais na medida do possível, tentando ocultar-se e disparar vários ataques surpresas aos mesmos - o que se tornava difícil, pois carregava em suas costas uma larga bolsa repleta de itens recém colhetados.
- Vamos fugir! - disse o arruaceiro, sem esperar mais e se desintoxicando do veneno e ocultando-se nas áreas escuras da parede, saindo do campo de visão dos monstros.
- Venha! - Hong puxou as rédeas do Grand Peco, mas esse não movia-se, balançando suas asas, completamente desnorteado pela dor. - Acalme-se, por favor! - Pediu, sendo tomado pelo mesmo desespero que mantinha o animal preso ali.
O efeito do veneno tornava-se intenso e Hong não guardava a esperança de receber ajuda do arruaceiro, visto que o trato era protegê-lo e não ser protegido. Os ataques dos monstros tornavam-se mais constantes e suas reações mais lentas.
- Alguém me ajude, por favor.. - Pediu com a voz oscilante e angustiada. Queria que os Deuses enviassem-lhe ajuda, não queria perecer em um local daqueles.
E como se sua voz fosse ouvida, o bater das finas láminas começou contra as penomenas. Os olhos do moreno fixaram-se no rapaz que havia voltado - agora mais rápido e forte, tendo livrado-se de sua bolsa com os itens coletados -, provocando os inimigos para tornar-se o alvo deles.
- Falei para fugir! - Gritou o loiro, por que aquele cara tinha tanta dificuldade em seguir um plano?
- O Grand Peco não quer andar! - Respondeu-o abalado. Havia tratado-o com desprezo, por que ainda assim ele o ajudava?
- Droga! - gritou o arruaceiro, sendo jogado no chão sobre o próprio braço, sentindo um estalo dele quando foi arremessado.
- Você quebrou o seu braço! - Disse o templário, não encontrando mais salvação para eles.
- Só acaba quando eu quero.. - respondeu-o com irritação, respirando fundo e juntando as mãos, ignorando a dor e gritando. - Barreira de fogo!
Como se fosse mágica - e era mágica -, uma barreira de fogo surgiu, afastando momentaneamente os animais. Nesse momento o arruaceiro ergueu-se, guardando as adagas e correndo contra Hong, como se desejasse apunhalá-lo. Suas mãos se fecharam, uma atingindo a garganta do Grand Peco e outra a lateral da armadura do templário, em um golpe suficientemente forte para desacordá-los.
- Rapto! - Gritou e a mente de Hong nublou, percebendo que eram teletransportados antes de perder a consciência.

Muitas horas se passaram antes que os olhos castanhos voltassem a se abrir, sentindo o corpo fraco. Sua respiração estava lenta e dolorosa, sentia uma dor absurda como se houvesse levado uma surra - e tinha, mas preferia não pensar nisso.
- 'Cê acordou? - Perguntou o arruaceiro, movendo um pouco o ombro que estava servindo de apoio para cabeça do templário.
- Está frio.. - Encolheu-se um pouco, sentindo a baixa temperatura do local. Olhou em volta do escuro ambiente, tentando localizar-se e entender o que havia ocorrido.
- Já anoiteceu lá fora.. A noite aqui é bem frio, fica assim até o sol bater no alto da torre - explicou, movendo o ombro de forma discreta, um pouco encabulado.. Não queria um homem apoiando-se nele depois deste já ter acordado.
- Ah, desculpe-me.. - Pediu, tombando o corpo para o lado para afastar-se, vendo o seu Grand Peco descansando, sem sinais de intoxicação pelo veneno. - Quando o sol toca o alto da torre? Mas isso só acontece ao meio dia - comentou, dando-se conta que esse poderia ser o motivo do arruaceiro ter demorado tanto para encontrá-lo de manhã.
- Eu cresci no deserto, frio pra mim é tortura - brincou, encolhendo-se pela baixa temperatura também. - Pensando bem - colocou a mão na cabeça do outro, puxando-o para que ele voltasse a apoia-la em seu ombro. - Pode ficar perto!
- Err.. - O constrangimento de Hong foi instantâneo, mas decidiu ater-se ao ocorrido. - Seu braço! Como está? - Perguntou nervoso, olhando então para o braço direito do rapaz, buscando sinais da fratura e logo encontrando-o visivelmente inchado e roxo.
- Ah, ele tá meio torcido, mas quando sairmos daqui resolvemos isso - disse como se não desse importância, já tendo se acostumado a conviver com a dor.
- Mas.. - Hong queria argumentar, mas realmente não havia meios de curar aquele ferimento ali, sem qualquer suporte ou medicação. - Eu pensei que você fosse apenas um ladrão, como fez uma barreira de fogo?
- Pode não parecer, mas eu estudei pra ser mago, sabia? E nós preferimos ser chamados de profissionais da desordem - respondeu em tom emburrado, rindo em seguida.
- Por que um estudante de magia decidiu tornar-se um.. "profissional da desordem"?
- 'Tá, eu menti.. - Admitiu envergonhado, desviando o olhar para um canto vazio daquele labirinto de cavernas. - Roubei os pergaminhos de um sábio um dia desses e dei uma lida..
- Então você é mesmo um ladrão - Hong ficou incrédulo, esperava ouvir alguma história triste que fez um aluno de magia largar os estudos e começar a roubar, mas pelo visto era só a ganância que regia aquelas pessoas. - Você tinha tudo o que queria, por que voltou para me ajudar..?
- Porque sair daqui sozinho ia ser muito difícil! - Falou com determinação, convencendo Hong de primeira. Depois de alguns segundos de silêncio, prosseguiu com a sua justificativa. - E 'cê pediu ajuda, né? Eu sei que 'cê não gosta de mim, mas não se ignora quem tá pedindo ajuda.. Esqueceu que foi 'cê que me protegeu mais cedo?
- Eu estava protegendo o Grand Peco - Hong imitou-o, falando com a mesma determinação convincente, mas logo suspirou e fechou os olhos, cansado. - Muito obrigado pela ajuda..
- Se quiser, dorme.. 'Cê e sua galinha foram envenenados, eu tentei desintoxicá-los, mas não é tão fácil pras outras pessoas.. - Disse de forma confusa e tímida, essa era a primeira vez que alguém agradecia-o dessa forma e pensar que não achava que tinha feito algo grandioso, só tinha largado umas panacéias para ajudar alguém que precisava. - Não vou largá-los aqui não, pode ficar tranquilo que 'tá de boa.
- Arruaceiro, qual o seu nome..? - Decidiu perguntar por fim, não tinha muita curiosidade em conhecê-lo antes, mas agora precisava reconhecer que só porque ele não seguia as normas, não significava necessariamente que se tratasse de uma pessoa má.
Não era do costume de arruaceiros relevarem seus nomes, ainda mais porque caso se encrencassem, isso só facilitaria as autoridades de encontrá-los, mas ainda assim não queria mentir para ele. Não é como se confiassem um no outro só porque tinham se ajudado ali, mas aquele agradecimento havia sido sincero, não era?
- Matt William - respondeu.
- Conto com você para sairmos daqui - disse, dando um sorriso leve. No fundo, por mais que odiasse depender dos outros, era bom saber que teria ajuda se precisasse.

Depois de descansarem e de fugirem de algumas batalhas, ambos conseguiram sair sem mais ferimentos da torre do relógio, recebendo assistência médica e dirigindo-se para Prontera. Na entrada da catedral, Hong esticou as rédeas de seu Grand Peco para o arruaceiro - visto que o animal já não mostrava tanta hostilidade contra o outro.
- Comunicarei ao padre Bhamp a falha de nossa missão - disse Hong com um sorriso suave e discreto, virando-se para adentrar a igreja.
- Ei, 'cê tem certeza que quer deixar sua galinha comigo? Eu posso tentar roubá-la! - Alertou, ainda confuso com toda a confiança que estava sendo depositada em si.
- Você não vai roubá-la - retrucou, partindo sem mais nada dizer.
- Onde já se viu?! - Matt bateu o pé no chão, voltando o olhar para o animal como se ele pudesse tirar-lhe as suas dúvidas.
Depois do prejuízo que levava, o mais natural seria fugir e vender a galinha pro açogueiro, mas não queria trair o templário e não entendia o motivo disso.

Hong foi até o sacerdote Bhamp, sendo imediatamente recebido por ele e entregando-lhe o relatório da missão. Depois de poucos minutos avaliando-o, o homem tirou o olhar dos papéis e voltou ao templário, abrindo um sorriso de contentamento.
- E o arruaceiro?
- Com o braço quebrado, mas vai sarrar - respondeu Hong, feliz pelos danos não serem irreversíveis.
- Vejo que a missão foi um sucesso - o sorrido do sacerdote aumentou, pelo visto o trauma que Hong tinha de arruaceiros já estava curado.
- Não trouxemos as panacéias..
- Você trouxe coisas bem mais valiosas, Hong.. Está livre para começar o treinamento de paladino - anunciou, apesar de saber qual resposta receberia.
- Agradeço, mas o senhor tinha razão.. É cedo demais para mim, ainda há coisas que desejo fazer antes de focar-me em lutar por nosso rei.
Com felicidade, o sacerdote concordou com o que era dito. Pelo visto Hong havia parado para enxergar a beleza do mundo e notado que ela era mais delicada que as divindades.
- Vá com a minha benção, Hong, seu amigo te espera. E nunca esqueça do que aprendeu, não perca a esperança nas pessoas, se der a chance, elas acabarão te surpreendendo.
- Sim, sacerdote Bhamp!
Assim que o espadachim se foi, o assistente do sacerdote, que até então ficava em sua mesa no canto da sala, sem fazer comentários, decidiu-se se pronunciar:
- Ele falhou na missão, sacerdote Bhamp. Não devia repreendê-lo por isso?
- De modo algum.. Falhar ou obter sucesso é relativo, o que importa é o caminho que trilhamos e até quando somos fiéis a nós mesmos.
O sacerdote levantou-se em seguida, caminhando até a sua janela, vendo o templário encontrar-se com o arruaceiro e junto formarem uma dupla um tanto inusitada.
- Não é maravilhosa a forma que o nosso mundo une as pessoas? Mesmo que elas tenham crenças diferentes ou estabeleçam metas opostas, é possível que elas unam-se e se tornem amigas uma vez que seus caminhos se encontrem e lutem lado a lado - comentou, repleto de admiração pela cena do outro lado do vidro.
- Sim - concordou com suavidade o assistente, ajeitando em seu rosto os óculos que usava. - Eu também amo o nosso mundo.

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MensagemAssunto: Re: Por uma aventura   Ter 19 Jul 2011, 11:39 pm

ficou legal,curta demais para participar do concurso.mas a historia é legalzinha,agora cade eu ?
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