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 [Gyuufa] Fanfic - Tríade

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gyuufa
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MensagemAssunto: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   Seg 10 Maio 2010, 9:46 am

Então... Começando =)

Tríade - Prólogo

A capital de Rune-Midgard estava em polvorosa, e tinha ótimos motivos para isso… Cada vez que um novo mal se abatia sobre nosso continente, mais impiedoso, mais forte, novos heróis surgiam para derrotá-lo. E isto não estava sendo suficiente para o povo. Não mais. O poder das trevas parece cada vez maior, constantemente em mutação, e cada vez que ressurgia, levava pessoas inocentes a cometerem sacrifícios e a perderem entes queridos… Prova de tal constatação é o Imperador Morroc, o demônio que foi libertado de seu selo, e que havia há pouco destruído quase que completamente a cidade que carregava seu nome. Para deter a criatura foram necessárias as forças de muitos, e vários pereceram na batalha. As pessoas precisavam de poder… Poder para superar os heróis do passado e garantir o futuro de nosso mundo. Assim, os aventureiros aproveitaram a calmaria que ainda imperava e partiram em busca de conhecimento, enquanto nada ameaçava os tempos de paz… Comigo não foi diferente.

Capítulo 1 – “Você é a luz que me guia para o futuro…”

Era um dia calmo e fresco de verão. O calor intenso castigava o solo, porém havia uma brisa suave que soprava, amenizando a sensação do clima quente. As flores estavam com seus botões abertos, mergulhando a cidade em um mar de cores que ia até onde a vista alcançava. Um dia como tantos outros em Prontera. Ou assim eu poderia dizer, não fossem os acontecimentos que estavam prestes a causar furor. Como suma-sacerdotisa do nível mais alto, eu estava cumprindo minhas obrigações para com a Igreja, lecionando na catedral. O local muito me agradava. As paredes de pedra lisa davam um ar rústico à edificação, e também mantinham o ar fresco, retendo o calor para fora. Os vitrais com suas imagens de anjos sobrevoando batalhas épicas, narradas por heróis e passadas pelas gerações, e as pilastras de mármore com inscrições religiosas, eram decorações que não passavam despercebidas por quem ali entrava, mesmo não sendo meramente ostensivas. E os novatos, a quem eu ensinava, tinham uma paixão sem igual pelos livros que eu emprestava. Eu estava ensinando a uma de minhas alunas mais assíduas, Bela, como utilizar a luz divina, quando ouvi alguém me chamando.

- Kozue! Kozue, você está aí?!

- Ah, olá, padre Bamph! Estou aqui, na biblioteca!

Ele se aproximou de mim e de Bela que acabava de, por acidente, destruir a lamparina próxima aos livros com sua primeira luz divina.

- Kozue, minha filha, preciso lhe pedir um favor. Está muito ocupada?

- Ham… Na verdade, eu apenas ensinava Bela a utilizar a luz divina, mas parece que ela já a dominou… Essa menina cada vez me surpreende mais… - Bela corou e sorriu, e aproveitou a conversa para ir exibir a nova habilidade aos colegas - Diga, padre, o que precisa de mim?
- Acabei de sair de uma conferência com Tristan. Ainda hoje, iremos anunciar uma novidade ao lado da fonte principal, e eu gostaria que você estivesse presente.

- Estarei lá, padre! Uma conferência… Devo levar algo em especial?

- Na verdade, você sairá em missão, minha filha… Leve tudo que achar necessário.

- Uma missão? Deverei interceptar algum monstro, ou…?

- Nem eu sei bem o que você terá que enfrentar. Você entenderá quando eu fizer o anúncio. Por enquanto, detenha-se a estar presente. Esteja lá as sete em ponto.

Achei a atitude de Bamph estranha, mas resolvi não fazer mais perguntas. Como já eram seis horas, me dirigi para casa. Peguei itens básicos para qualquer missão – as gemas, brilhantes e translúcidas, águas bentas, capazes de curar qualquer maldição provinda dos monstros, poções, suprimentos - e, em trinta minutos, eu estava me dirigindo ao ponto combinado. Ao me aproximar da fonte, notei dois bruxos que, utilizando suas habilidades com os elementos, criaram um palanque feito totalmente de gelo. Apesar de terem feito um trabalho simples e sem muitos detalhamentos, a visão era linda: O sol poente, com suas luzes rosas e laranjas, refletia no palanque quadrilátero, cobrindo a fonte e a calçada em volta dela com uma aura aconchegante. A luz também refletia em meu cabelo louro, tornando-o rosado com tons de dourado, e o mesmo ocorria com os passantes. Ao observar mais atentamente, notei que a calçada começava a lotar. Eu não havia sido a única a ser convidada para a tal declaração. Em poucos minutos, não havia mais espaço na calçada, e as pessoas começavam a se aglomerar no parque próximo à fonte.
Às sete em ponto, o rei Tristan apareceu acompanhado de sua guarda real, com os mesmos emblemas da cavalaria entalhados em ouro, com padre Bamph ao seu lado, desajeitadamente tentando caminhar sobre o palanque deslizante. Notei que ele procurava algo e, quando seus olhos encontraram os meus, ele me fez um sinal para que eu me juntasse a eles.
Tão logo subi no palco, Tristan começou a se pronunciar.

- Cidadãos de Rune-Midgard! Serei o mais breve possível! Temos enfrentado tempos difíceis. De tempos em tempos, enfrentamos criaturas inimagináveis. Cada vez que um confronto ocorre, somos nós que acabamos perdendo forças, parentes, amigos... Partes de nossas vidas. Sim, temos heróis que, graças a Odin, com fé e liderança, nos tiram da penumbra e trazem uma vez mais a esperança a nossos olhos e corações. Mas será suficiente? Devemos nos acomodar com a situação, até chegar o dia em que não teremos mais forças para lutar? Só existe uma resposta possível para esta pergunta: Não. Durante uma semana, estive em conferência com os principais líderes responsáveis pelas guildas que fornecem conhecimento e poder aos aventureiros, e chegamos a um consenso. – Ele fez uma pausa, respirou fundo, para então continuar. – Com o aval dos guardiões da biblioteca da torre de Geffen, disponibilizaremos para todos os aventureiros que atingiram o nível mais alto em seu conhecimento o poder dos sábios de Alfheim. – Ouvir o nome da antiga capital élfica, hoje conhecida como Geffenia, fez muitos dos até então interessados presentes começarem um burburinho, fazendo necessário um aceno de Tristan para pedir que se acalmassem. – Como muitos sabem, os elfos de Alfheim possuíam um conhecimento vasto que, por séculos, foi transcrito para seus livros. Livros estes que, hoje, estão em posse dos arquimagos da torre de Geffen.
Após dar um tempo para a multidão se acalmar, Tristan continuou:

- Como eu disse, este conhecimento estará disponível para todos os aventureiros que atingiram o máximo do conhecimento que era possível até hoje, e desejam adquirir mais poder para ajudar aqueles que necessitam.

- E é aqui – Interrompeu padre Bamph, dirigindo-se a mim – Que você entra, minha filha. A partir de hoje, você iniciará sua peregrinação para se tornar uma arcebispa.

- Arcebispa? Padre, isso quer dizer que... Eu... Eu já não havia atingido o máximo de conhecimento, após transcender?

- Atingiu, sim. O máximo que estava disponível até HOJE.

- Mas, eu não compreendo... Porque vocês decidiram escolher somente a mim?

- Na verdade – Neste momento, estava tão aturdida que nem percebi quando o rei interrompeu o padre para se dirigir a mim, colocando a mão sobre meu ombro – Você não foi a única. Você foi a PRIMEIRA de muitos que ainda virão. Porém, não podemos conceder tamanho poder a todos de uma vez só. Esse poder deve ser analisado e testado. Por este motivo – Tristan agora dirigia sua palavra a Bamph – Pedi a você que selecionasse alguém de sua confiança.

- Acredite, majestade, ninguém melhor que Kozue para analisar este conhecimento.

- Pois bem. Está decidido, então! Suma-sacerdotisa Kozue, você está agora sob proteção do priorado de Prontera. Selecione tudo o que você acredita ser necessário para sua jornada, e repasse a meu conselheiro. Quanto antes você partir, melhor. Faremos de tudo para tornar a empreitada mais fácil.

Ainda meio aturdida, comecei a pensar em tudo o que eu precisava. O que me faltava? Eu já tinha tudo que acreditava ser indispensável... Comecei a pensar no que carregava em minha bagagem: Armas, escudos, poções, comida, gemas... Foi então que minha mente, em um estralo, se deu conta do que o rei estava oferecendo. De prontidão, me dirigi ao conselheiro do rei, e lhe fiz um pedido. Suas feições subitamente mudaram, e ele me olhou assustado:

- Você sabe quanto tempo vou demorar pra conseguir isso que me pediu?!

- Sei, sim – Sorri para ele e falei baixinho – Mas você ouviu o rei. Quanto antes, melhor...

Após estas palavras, me dirigi calmamente ao palácio, onde Bamph me esperava com suprimentos e ordens, deixando para trás um pobre conselheiro desesperado. Sei que meu pedido era difícil... Mas tornaria a jornada mais fácil. No caminho para o palácio, percebi que nunca antes tinha estado lá. A estrada naquela parte, assim como o restante da cidade, era magnífica. Porém, à medida que me aproximava das abóbadas do castelo, pequenos detalhes iam mudando, tornando a paisagem uma degustação para os olhos. As flores comuns, brancas, mais presentes por toda a extensão da cidade, diversificaram-se, e agora davam espaço para um tapete colorido com pétalas que se soltavam a voavam ao soprar da brisa. As pilastras de mármore, também presentes na abadia de Prontera, agora possuíam detalhes entalhados em ouro e prata, que reluziam com as luzes artificiais, agora acesas por causa do crepúsculo. Notei também que as inscrições que compunham os detalhes da sustentação das abóbadas do castelo eram mais completas, e que, ao contrário da caligrafia nas pilastras da igreja, que eram impressas com magia, tinham sido feitas à mão. Fiquei tão abismada com a beleza de tais construções, que não notei que havia chegado ao ponto de encontro. Bamph já estava a minha espera, com uma tocha crepitando em tons de laranja e amarelo, em sua mão direita, e a característica bíblia que ele sempre carregava, em sua mão esquerda. Tão logo me viu, ele começou a falar.

- Kozue, seus pertences já foram empacotados para viagem. O item que você pediu ao conselheiro do rei também já foi providenciado, estando dentro da sua bagagem pessoal. – O padre falava rapidamente, parecia estar com pressa e preocupado com alguma coisa – Também tomamos a liberdade de adicionar um pouco de dinheiro à sua bolsa, acredito que será mais que suficiente para cobrir seus gastos com hospedarias.

- Padre, o que o senhor tem? Parece nervoso! Houve algum problema? – Perguntei, tentando acalmá-lo.

- Oh, me desculpe. Na verdade, estou um pouco nervoso sim. – Percebendo meu olhar preocupado, ele continuou – Mas não se preocupe, não é com você minha preocupação. É com o seu companheiro de viagem.

- Companheiro de viagem? Do que está falando? Achei estaria só nessa missão, nunca mencionaram...

- Ora, ora, ora. Então o reizinho se esqueceu de mencionar que me convidou para a festinha particular, é?

A voz não era de Bamph. Era uma voz também masculina, porém mais calma e carregada de ironia. Assustada, entoei bênçãos e proteções sobre mim e o padre, com medo de algum ataque inimigo.

- Há, há, há! Não se preocupe, florzinha. – A voz tomou a forma de um desordeiro moreno, trajando suas típicas vestes azuis, empunhando uma faca de serra trabalhada em aço em uma das mãos, com uma aura azul reluzindo sob seus pés. Ele também havia adquirido o máximo de seu conhecimento. – Desta vez, estou aqui para te ajudar.

O desordeiro fez um movimento magistral, guardando a adaga em sua bainha presa ao cinto, e aproximou-se da luz da tocha para que eu pudesse vê-lo. Com um sorriso malicioso estampado no rosto, acenou para mim, enquanto chagava mais perto do padre Bamph.

- Como vai, Koz? Lembra de mim?

- O quê?!? Kryeg? O que está fazendo aqui? – Me virei defronte para Bamph, ao dirigir minha palavra a ele – Padre, o que este homem faz aqui?

- Bom... Ele será seu companheiro de viagem, Kozue. – Ele respondeu, com um ar preocupado – Eu sei que vocês já tiveram seus conflitos antes, minha filha, mas procure relevar. Ele também está em busca de mais conhecimento.

- Como é? Padre, estamos falando do homem que roubou duas vezes seguidas a coroa do rei, sem contar as inúmeras jóias reais e os livros mais raros de nossa biblioteca!

- E é por isso, queridinha – Kryeg recostou sua cabeça em meu ombro, falando perto ao meu ouvido, com seu sorrisinho confiante – Que estou indo com você. Você sabe que não sou de me gabar, mas tem que reconhecer que sou o melhor ladrão por aqui, certo? Quem seria melhor candidato? Portanto, seja boazinha comigo, pirralha.

Aquelas palavras me deixaram ensandecida. O empurrei para longe, e entoei em alto e bom som:

- *Lex Divina!*

Minha habilidade o pegou de surpresa, deixando-o completamente mudo. Agora que ele não podia falar, aproveitei para responder:

- Pois bem, “queridinho”. Apesar de achá-lo prepotente, arrogante, convencido e extremamente nojento e mal-educado, tenho que admitir que você é o melhor no que faz. Não que isso seja bom – Aproveitei para dirigir-lhe um sorriso tão malicioso quanto os seus.

O padre pareceu divertir-se com a cena, levando a mão que portava a bíblia à cabeça, e balançando-a de um lado para o outro: - Vocês não tomam jeito.

Kryeg vasculhou sua mochila, e encontrou uma poção que possuía um líquido verde em uma garrafa translúcida. Entornou a garrafa, deixando o líquido escorrer por sua garganta, curando o efeito de silêncio que minha “Lex Divina” havia colocado sobre ele.

- Nunca mais, - Ele disse, agora com olhar enfezado, recuperando a voz – NUNCA mais faça isso, se você valoriza sua vida. Caramba, havia me esquecido de quanto uma sacerdotisa pode ser CHATA, quando quer.

Ignorando suas palavras, me dirigi aos meus pertences, colocando minha mochila sobre as costas, e alojando o cajado entre meu cinto e minha saia. Terminadas as preparações, Bamph olhou para nós dois.

- Como sabem, Tristan está confiando em vocês porque são os melhores no que fazem. Devem partir já, dirigindo-se a Geffen. Ao chegarem lá, encontrarão uma terceira integrante que está partindo de Comodo. Reúnam-se com ela, e descansem por um dia. Quando estiverem hospedados, enviem uma carta com o endereço da estalagem onde estão para a academia de magia. Provavelmente, um arquimago irá recebê-los na torre no dia seguinte.
- Qual é o nome da terceira integrante? – Perguntou Kryeg, antecipando minhas palavras.

- O nome dela é Alice. Ela é uma cigana e, assim como vocês, é a melhor no que faz.

- Ou seja, ela é ótima em sair rebolando por aí pra fazer todo mundo ficar babando – Acrescentou o desordeiro. Soltei uma leve gargalhada da piada.

- Ela é um ótimo suporte para o grupo, se é o que querem saber – Bradou Bamph – E uma dançarina sem igual. Suas habilidades podem ser de grande ajuda para esta empreitada. Continuando... Ao chegarem à biblioteca, os livros estarão sobre três mesas, cada qual com o nome de um de vocês. Os livros estão em élfico antigo, acredito que Kozue e Alice não terão problemas para ler. Já para você, Kryeg, temos um bruxo confiável que poderá ser seu tradutor, e...

- Quando seu cabelo caiu, seus neurônios foram junto, seu careca gagá? – Interrompeu Kryeg – Já fiz várias pilhagens aos tesouros escondidos no subterrâneo de Geffen. Muitas armadilhas estão codificadas em élfico antigo. Então é claro que eu sei ler o tal livrinho! Não quero nenhum bruxinho pomposo traduzindo do meu lado, não. Se alguém pode precisar desse tradutor aí, deve ser a cigana. Elas geralmente não têm muito cérebro.

Irritado com a atitude, Bamph respondeu:

- Saiba que Alice é elfa, seu fanfarrão. Além de ter um conhecimento vasto sobre arquearia, ela também sabe muito sobre magia. É uma das únicas elfas existentes em toda Rune-Midgard hoje em dia. Trate de dirigir-se a ela com mais respeito! Além disso, ela não é uma cigana qualquer. Por seu sangue élfico, ela possui mais habilidades que uma dançarina transcendental comum. Sugiro que segure seus comentários sarcásticos perto da moça, se não quer acabar com uma flechada certeira no meio da testa.


Capítulo 2 – “As trevas nascem da luz”


A cada passo em direção ao portal que levava à saída lateral esquerda de Prontera, Kryeg me lançava olhares de reprovação. A bem da verdade, ele tinha razão de estar bravo comigo. Quando ele começou a discutir com o padre Bamph sobre ciganas, não pude me conter... E novamente usei minha “Lex Divina” no desordeiro... Perplexo ao ver que havia caído duas vezes no mesmo “truque”, ele saltou de prontidão à sua mochila, e revirou-a atrás de mais uma unidade da poção verde que ele antes havia bebido... Em vão. Ele não pôde encontrar mais nenhuma, pois havia trazido somente uma. Ao perceber o que acontecia, não consegui me segurar... E comecei a gargalhar exaustivamente. De tal forma que, ao partirmos, ainda mudo por meu poder, ele começou com seus olhares de reprovação. Mas, ao menos, a jornada até aquele ponto estava calma e silenciosa... No momento em que colocamos o pé fora da cidade, a voz de Kryeg voltou, e ele olhou-me novamente, bradando:

- Porra, cê quer morrer, menina? Eu avisei que se tu usasse essa porcaria de habilidadezinha em mim de novo, eu te metia a faca no pescoço!

- Oh, perdão... Não queria insultá-lo, ó, todo-poderoso mudinho... – Eu estava segurando as risadas – Prometo que não faço mais... Por hoje...

- Ah, eu mereço, viu? Não bastava uma cigana nojentinha, ainda tenho que aturar uma suma-sacerdotisa babaca...

- Ah, fica quieto! O único “nojentinho, babaca” aqui, é você!

- Não foi o que você disse pra mim aquela noite, na minha cama, Koz... Como foi mesmo? “Ahh, isso, mais! Mais!”

Ruborizei. Meu instinto foi de dar umas boas “cajadadas” nele, e fazê-lo calar a boca novamente... Porém, apesar de odiá-lo, eu já havia sido apaixonada por ele, quando ainda era uma sacerdotisa em treinamento... E cometi o erro de dormir com ele, uma única vez... De certa forma, eu estava pagando pelos meus pecados.

- Qualé? Não vai falar nada, não?

- Shhh... Kryeg, quieto!

- Anda, porra, olha pra mim quando falo com você!

- Kryeg, cala essa boca se não quer ficar mudo de novo!

Eu não estava mandando-o calar-se por vergonha. Algo me preocupava. Ao nos aproximarmos do parque do leste de Prontera, a suave brisa que soprava na cidade se tornou um vento frio e carregado. As luzes, criadas através da magia, agora bruxuleavam em um tom de marrom alaranjado, e estavam quase apagadas, tornando o local sombrio, obscuro... As flores ao redor do pátio, antes tão coloridas e vivas, estavam enegrecidas e murchas. Estava tudo quieto demais. Apesar de já terem passado das 3 da manhã, sempre havia algum aprendiz empenhado, caçando porings e besouros naquela área, almejando alcançar sua primeira profissão... Aquela quietude não era normal.

- Koz... Vira bem devagar e olha no banco do parque... – Kryeg quase sussurrava. Quando olhei sua face, ela estava pálida, seus olhos, lacrimejando pelo vento brusco, fixos no parque, seus lábios estavam entreabertos. - Aquilo é um...?

Finalmente, me virei para o banco que ele apontava. E, acredito eu, minha expressão era a mesma que ele havia feito há pouco. Eu não conseguia acreditar no que via: Um espadachim louro, de olhos azuis, estava sentado de forma displicente no banco, encarando-nos. Seus músculos definidos apareciam por através de sua roupa. Seu cabelo reluzente e sua franja avantajada não voavam na direção do vento, eles flutuava para cima como se estivessem encantados por magia. Sua íris era anormalmente brilhante, dando aos olhos um aspecto sobrenatural... Sua pele, alva, era translúcida, e parecia que pequenos fragmentos dela se desprendiam, flutuavam no mesmo sentido de seu cabelo, e desmanchavam-se no ar, enquanto uma nova camada de pele cobria a que havia se desprendido. Suas mãos cobertas por luvas de couro grosso seguravam uma espada tão translúcida quanto sua pele. Estávamos encarando um Doppelganger.

- Caralho... Não acredito, mal saímos da cidade e já vamos ter problemas? Essa porcaria aí não vivia lá no raio que o parta de Geffen? Koz, acha que conseguimos lidar com este aqui?

- Apesar de ser bem forte, acredito que consigamos lidar com ele, sim... Kryeg, você trouxe algum escudo resistente contra ele? Se sim, pegue rápido, quando ele atacar, vai ser pra valer!

A cena seguinte me surpreendeu. O Doppelganger levantou-se calmamente, e olhando fixamente para mim, enquanto embainhava sua espada, prendendo-a ao seu cinto, ele caminhou vagarosamente em minha direção. Kryeg, já armado da cabeça aos pés, colocou-se em meu caminho, ficando entre mim e o fantasma do espadachim, enquanto tomava posição de batalha. O monstro deu um sorriso malicioso.

- Ohhh, não se preocupem, meus caros... Não estou aqui para lhes fazer nenhum mal... Ao menos, por enquanto... Podem guardar as armas, se não querem se ferir. Você também, sacerdotisa. Nem pense em me atacar com esses pergaminhos de magia.

Ele apontava os pergaminhos que eu segurava na mão... Pergaminhos com magias utilizadas pelos mestres arcanos, os arquimagos de Geffen, em suas batalhas... Os pergaminhos que eu pretendia usar para atacá-lo.

- Putaqueopariu! Essa coisa tá FALANDO contigo, Koz? Desde quando essa aberração fala?

- Kryeg, já disse pra você calar sua boca! E você! – Apontei para o Doppelganger que, surpreso, parou de caminhar. – Se você também não quer encrenca conosco, então pare onde está e não se aproxime!

- Kuhuhuhuhuhuh... Entendido... Não me aproximarei, por enquanto, se prometer me ouvir.

- Cara, risadinha sinistra... Falaí Kozue, cê vai ouvir esse pamonha ou posso partir pra pancada?

- Espere, Kryeg. Se ele tem algo a dizer, vamos ouvir. Você sabe que um confronto contra um dos monstros mais poderosos do mundo no início da viagem não seria muito bom para nós...

- Aff, era o que eu temia. Cortou meu barato. Fala, chefia, o que tu quer falar com minha mulher?

- Sua o quê?

- Ahhh, tanto faz. Anda, palhaço, desembucha!

O monstro parecia divertir-se com a situação, frisando a testa e deixando à mostra seus dentes brancos como neve. Após ficar alguns segundos em pausa encarando Kryeg, ele virou-se para mim, sorriu novamente, e começou a falar:

- Tenho um recado para você. É bom que você tenha uma memória muito boa, pois assim que eu deixar a mensagem, vou desaparecer, e não vou repeti-la. Está pronta?

- Acredito que sim. Pode falar.

- Pois bem. “As trevas nascem da luz. Para combater as trevas, é preciso combater o que lhe deu origem. Onde não existirem as trevas... Também não existirá a luz. Ó grande Odin!”

Após proferir estas palavras, o mestre dos pesadelos dissipou-se no ar. Ao mesmo tempo, o vento forte e frio voltou a ser uma brisa suave e gentil. As lamparinas do parque tomaram novamente sua cor de âmbar vivo, e reluziam tão fortemente que atordoaram meus olhos.

- Errrrrrrrrrrr... Fala sério cara, o que esse mongolóide fumou? Tá doidinho! Pirou da cachola! O que esse monte de asneira quer dizer? Aff, vai falar merda assim lá em Nifflheim!

- Apesar de eu ter memorizado, o que ele falou realmente não tem sentido... Ele disse que era uma mensagem, mas de quem?

- Aff, quer saber? To pouco me lixando pra esse bichinha mequetrefe! Caralho, Koz, ele é só um espadachinzinho... O quê cê acha que aquele merdinha ia conseguir fazer contra nós, dois guerreiros transcendentais do nível mais alto?

- Kryeg, acabamos de partir. Está de madrugada. O frio não estava ajudando, também. Sem contar que ele poderia invocar pesadelos à vontade, se quisesse nos atacar. Você acha que atacá-lo sem mais nem menos era a atitude mais sensata a se tomar?

- Tá, tá, que seja. Agora, vamo logo praquela porcaria de cidade da *urgh* magia, antes que ele volte com os amiguinhos dele. Não tô a fim de ficar aqui congelando, não.

Partimos. Apesar de estar ressabiada pela visita do Doppelganger, no fim acabamos não encontrando mais nenhuma grande ameaça pelo caminho, e o restante da viagem foi tranqüila. O céu estava começando a banhar-se com a luz do sol, tornando o céu uma imensa tela em tons de azul, que iam desde o azul-marinho até o azul-anis. A torre de Geffen, esplendorosa, gigantesca, estava à nossa frente. Podíamos enxergar perfeitamente seu mármore magicamente retorcido, que compunha toda a estrutura da torre, bem como as gemas roxo-brilhantes do topo, que simbolizavam o conhecimento que estava contido ali. Procuramos uma boa estalagem. Eu mal podia acreditar que, após algumas horas de descanso, eu estaria entrando em contato com o conhecimento que os sábios magos de Alfheim haviam obtido e registrado em seus livros.


Última edição por gyuufa em Sab 12 Jun 2010, 7:06 pm, editado 2 vez(es)
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gyuufa
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MensagemAssunto: Bom...   Seg 10 Maio 2010, 9:52 am

Foi até esta parte que escrevi... Por favor, ao lerem, deixem ao menos um comentário no final, dizendo o que acharam da fic, com toda sinceridade... Senão gostaram, também digam, críticas são sempre bem-vindas!

Ainda não sei se continuarei a história... Dependendo do desenvolver do tópico, talvez eu continue ^^

Desde já, agradeço a todos que tiveram paciência de ler até aqui, heheheh...

Valeu =)
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MensagemAssunto: Re: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   Seg 10 Maio 2010, 6:18 pm

oba fanfic nova /fome!
vou ler agora ^^

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MensagemAssunto: Re: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   Seg 10 Maio 2010, 6:45 pm

Muito bom, é claro que quero a continuação, é bem detalhada. ^^
Continue assim.
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MensagemAssunto: Re: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   Seg 10 Maio 2010, 7:02 pm

^^ eh um amigo meu ele escreve mto neh! Kem sabe venha para o clã *-* kspoksposkpos
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gyuufa
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MensagemAssunto: Re: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   Ter 11 Maio 2010, 4:53 pm

Que bom que alguém já gostou ^_^

Se pelo menos um incentivou, já tá ótimo pra mim! Vou continuar, aos pouquinhos, a escrever a história...

Rockstar, acho que um dos meus "trocentos" chars pode entrar no clã, sim... Embarassed
Só vou ter que me acostumar com o RolePlay, provavelmente será um pouquinho difícil pra mim, no começo =x

Bom, voltando ao assunto, acredito então que vou escrever no decorrer das semanas e postar aos finais de semana... Assim, fica melhor (escrever com pressa também não rola, heheheheheheh...).

Espero que me ajudem a aprimorar a qualidade da fic com críticas e sugestões ^_^

Muito obrigado a quem respondeu... Provavelmente esse domingo (sábado vou a um evento anime, heheheh) eu posto o início do capítulo 2!

Por favor, aguardem ansiosos ^_^* Prometo me empenhar bastante no capítulo 2!!!

Kisses , Kozue-chan <3 cherry
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Lorde Ryu
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MensagemAssunto: Re: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   Qua 12 Maio 2010, 9:31 am

OTIMA fanfic! Mais uma fanfic talentosa a esmero! Gostei muito dela!

espero por mais!!!

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MensagemAssunto: Re: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   Sab 22 Maio 2010, 7:01 pm

Capítulo 2 postado... Espero que gostem =)

Ele ficou mais curtinho, mas coloquei tudo o que tinha pra colocar em um "segundo capítulo"... Desculpem se não ficou tão bom como o primeiro ><

Semana que vem (espero), vem o capítulo 3! Hehehehehehe...

Comentem à votade =)
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MensagemAssunto: Re: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   Dom 23 Maio 2010, 2:02 pm

Apesar de estar mais curta tem o mesmo nivel da 1ª, agora com mais emoção ^^

Então a Koz se deito com o desordeiro? rsrsrs o desordeiro eh mto engraçado mas a Koz vai ter q segura ele se não ele vai akaba morto ^^

Mto Boa! Continue postando!
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MensagemAssunto: Re: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   Seg 24 Maio 2010, 10:41 am

mais uma vez muito otima a a fanfic! como rock disse emocionante! ^^
só tenho uma coisa a dizer : mais !!!!!

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MensagemAssunto: Re: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   Sab 12 Jun 2010, 7:07 pm

Noooooooooooooooossa... Tópico tá parado né? Desculpem a falta de atividade... Juro que assim que der eu continuo... Eu to com muitos problemas de saúde, por isso fica difícil continuar... Mas eu quero muito! Portanto, por favor, aguardem! ^_^
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MensagemAssunto: Re: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   Seg 14 Jun 2010, 6:07 pm

aguardo o tempo que vc quiser, mas nenhum minuto mais ^^! Laughing

hahahaha!

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MensagemAssunto: Re: [Gyuufa] Fanfic - Tríade   

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